sexta-feira, 22 de junho de 2012

Concepção e Conceito da Moda Afro e Brasileira

 Concepção da Moda Afro


Como a habitação, o vestuário respondia apenas ao instinto de preservação, de proteção da vida. Com o tempo passou a ter outra finalidade: realçar a beleza e a importância desse corpo, tanto para o indivíduo, quanto perante a sua comunidade. O vestuário é sensível às características étnicas e geográficas, personalizando cada povo, raça e momento histórico vivido.
Nos estudos das artes milenar dos povos africanas, além da escultura, pintura, literatura, não se pode negligenciar a estamparia, joalheria e o vestuário, como forma de expressão da criatividade do povo negro.
A presença do negro e a contribuição da cultura africana em nosso país têm sido pouco lembrada e considerada desde sempre. A tentativa de resgate de parte do legado africano, através do vestuário é mostra a importância da moda afro não só no Brasil com em qualquer parte do mundo usando os remanescentes e sua descendência africana.
Conceito da Moda Afro-Brasileira
O nome “Moda Afro-brasileira” enfoca a união entre África & Brasil e a reutilização dos elementos genéticos deixados por nossos ancestrais na moda, costumes e tradições, pois são várias às etnias africanas trazidas pelos europeus na época do Brasil colônia. Pedras, tecelagem, bordados, tingi mento em tecidos de algodão com desenhos geométricos e figurativos dando forma ao vestuário afro-brasileiro. Hoje a personalidade de cada povo ou raça, é ignorada, anulada pelas tendências ditadas por alguns polos industriais do vestuário, perdendo-se assim aquilo que dava às pessoas uma característica única.
A memória do desenvolvimento desta cultura, matriz e produto ao mesmo tempo do processo de desenvolvimento histórico nacional que deu origem à “cultura brasileira” (que não se separa da “afro-brasileira”) em todos os seus aspectos. Preservar a memória dos grupos e suas artes e técnicas; sua história enfim. Esta cultura, vista até bem pouco tempo como “cultura dominada”, raras vezes se vê representada em seus valores próprios. Em geral aparecem nas leituras e releituras dela feitas por artistas plásticos, escritores estilistas de moda, e músicos, mas pouco se conhece e valoriza suas tradições e seus costumes.
Do mesmo modo, o produto a ser planejado se aproxima da metáfora “da união de vários povos”, pois é através da internacionalização na arte de vestir torna-se perigosa na medida em que uma cultura impõe-se sobre as outras. A industrialização cresce e os meios de produção tendem à seriação, para atender ao consumo, de alguns afro-descendentes e que visivelmente deseja reafirmar sua identidade, através, da moda afro brasileira se depara com não se encaixa, por não haver peso comercial, pois, para alguns que se dizem especialista, a moda afro é feita exclusivamente para negros e não atingem as grandes massas. As necessidades do mercado impõem-se à adequação das necessidades do corpo, que se torna vítima da indústria da moda. Como já foi vista em varias narrativas, a moda afro-brasileira segue apenas tendência de determinadas época ou estação do ano variando com o olhar do estilista ou designer de moda, no momento de sua inspiração
Sustentabilidade e a Moda
Os consumidores adquirem, usam e descartam esses bens rapidamente, evidenciando a força destrutiva da obsolescência planejada. O destino final destes produtos é o meio ambiente, que tentará bio-degradar o que for possível descarte, dos resíduos e poluentes gerados na cadeia produtiva industrial.
Através da reutilização de fragmentos dos elementos que a própria indústria da moda se desfaz deste componente, é que reaproveitamos para criarmos novos conceitos de moda a partir da reciclagem, dando uma nova roupagem a moda casual, religiosa, dia a dia, social e trabalharmos por novas definições de estilo dentro moda. Embasado em conceitos de Ecodesign x Moda Afro-Brasileira, esta nova visão deverá ser moderna, e mais sustentável.
O consumo de energia e de matéria, bem como ser orgânico e funcional. Além disso, será desejável que o novo produto configurasse certa brasilidade - sem ser caricato - e certa globalidade em termos de moda, ecologia e sustentabilidade.
Considerações Finais
Para a cultura da moda de origem africana, se transformar em moda afro-brasileira, pelo processo histórico, entretanto, pouca memória e material existente que possa ser usada como fonte de pesquisa para sua preservação. E os grupos afro-descendentes em muito se ressentem disto. Assim, é extremamente relevante, não apenas do ponto de vista científico dos estudos de cultura material, história, antropologia e museologia, mas também do ponto de vista do diálogo com as comunidades remanescentes afro-brasileiras.
O empenho dos protagonistas da moda afro-brasileira em organizar sua coleção de peças referentes à cultura afro-brasileira contribuindo assim, para o início, ao que poderia vir a se tornar um Acervo e mesmo um centro de apoio aos estudos nesta área.

FONTE: http://fatimanegrann.blogspot.com.br/2012/01/concepcao-e-conceito-da-moda-afro-e.html

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Casting 100% negro.


Osklen declara que, embora seja interessante é impossível fazer um casting apenas com modelos negros, e inclusive, desafia UOL a  fazê-lo. Desafio aceito. Tái a resposta da UOL.

http://estilo.uol.com.br/moda/ultimas-noticias/redacao/2011/06/18/casting-100-negro.htm

quinta-feira, 24 de março de 2011

Tecidos Africanos, tecidos que falam.

Na África, os - de inigualável riquieza cromática - Tecidos Africanos eram substitutos da pintura - a comparação é pertinente, visto que os tais tecidos mais parecem telas; em alguns países, inclusive, configuravam ciclos de aldeias e realezas, e além de servir para confeção de vestuário e afins, tinham fins sociais: indicavam o prestígio daqueles que os vestiam,a metragem e o peso do produto são proporcionais à fortuna e ao poder daquele que os possui: se este faz parte das pessoas influentes da comunidade, chefe político ou grande comerçante, e o reconhecimento da nobreza dava-se através das estampas. A quantidade de tecidos de cada família configurava a ruiqueza da mesma, e fatalmente os tecidos mais belos registriam-se aos que detinham o maior poder. Dar tecidos como presente possibilita a solução de inúmeros conflitos, esses presentes são feitos em momentos importantes da vida de cada um (maioridade, casamento, nascimento dos filhos). Para manter boas relações com a família, os amigos, os vizinhos, para ser admitido numa seita, cada pessoa é incitada a dar tecidos e a recebê-los.

Trocando em miúdos, os Tecidos Africanos, sejam aqui ou acolá são um escândalo de cores e alegria.



quarta-feira, 23 de março de 2011

Vaidade ou submissão?!

'O alisamento era claramente um processo no qual as mulheres negras estavam mudando a sua aparência para imitar a aparência dos brancos. Fragmento do texto 'Alisando nossos cabelos', do site criola.org.br

Seria vaidade ou uma involuntária submissão aos caprichos da ditadura branca ?! Instintivamente mulheres negras acreditam que ter os cabelos alisados, assim com as brancas, seria um meio de estar esteticamente 'à altura' dessas. A autora do texto fonte, declara que na sua infância o ritual de alisar os cabelos, era não apenas vaidade, mais sim a 'porta de entrada' para a juventude feminina, porém delicadamente ela passou a identificar a influência branca naquele gesto. Ela cita que, a partir disso passou a aceitar e exibir os cabelos naturais, e que certa vez participou de um processo seletivo com cabelos trançados (e passou), mas ao retornar pra casa seus pais disseram-lhe, que ela tinha um 'aspecto desagradável'. Algumas mulheres mostram-se menos convencidas, e talvez com razão, de que seria menos penoso disputar uma vaga de emprego com o cabelo alisado. Uma delas assume que compraria uma peruca lisa e comprida para entrevista de emprego, ou seja, insegurança com seu próprio valor, em relação à sociedade de supremacia branca.
'Aos olhos de muita gente branca e outras não negras, o black parece palha de aço ou um casco. As respostas aos estilos de penteado naturais usados por mulheres negras revelam comumente como o nosso cabelo é percebido na cultura branca: não só como feio, como também atemorizante. Nós tendemos a interiorizar esse medo.O grau em que nos sentimos cômodas com o nosso cabelo reflete os nossos sentimentos gerais sobre o nosso corpo.' 'Fragmento do texto 'Alisando nossos cabelos', do site criola.org.br

Ela menciona ainda que, segundo uma pesquisa, negras heterossexuais justificam alisar seus cabelos devido à ser mais atraente aos homens, enquanto negras homossexuais evitam tal gesto pra não criar vínculo com a necessidade de aprovação do macho.
Daí, vê-se o quanto os cabelos influenciam diretamente os demais comportamentos. E que a aceitação do cabelo de negro natural, em sua original textura requer propriedade e segurança, uma vez que as críticas são muito comuns. A tentativa de mudança está diretamente relacionada, com baixa auto-estima.
A justificativa, previsível, de algumas mulheres é que 'dá menos trabalho' e que 'toma menos tempo'.

O fato é que o racismo e a mídia, impõem padrões. Induzem, a todo o tempo, que o modelo de beleza e/ou perfeição estética é o branco, e isso é reflexo da supremacia branca na sociedade.

Citação feita por: criola.org.br, retirada da Revista Gazeta de Cuba – Unión de escritores y Artista de Cuba, janeiro-fevereiro de 2005. Tradução do espanhol: Lia Maria dos Santos. Retirado do blog coletivomarias.blogspot.com/.../alisando-o-nossocabelo.html

Graça Silva